Mesa redonda na Charneira 2011
Na semana passada fui convidado para participar da Charneira 2011, a semana acadêmica de design da PUCPR. Fiquei muito feliz, justamente por ter me formado nessa instituição e também por ter participado da Charneira 2005, dando suporte à organização.
Neste ano, o tema “Nós com eles, nós sem eles” abordava as relações interdisciplinares do design, sua repercussão e contribuição na sociedade. A mesa redonda, a qual fui convidado a participar, tinha como foco discutir “Interação, experiência e ciência”. Junto a mim participaram também:
- Gonçalo Baptista Ferraz
- Mileni Kazedani Gonçalves
- Rodrigo “Scama” Otávio dos Santos
- Haroldo Osmar de Paula Junior (mediador)
De início fomos convidados a fazer uma breve introdução e exposição sobre o tema. Comecei contando minha trajetória nos antigos computadores MSX ao final da década de 80 e como os aplicativos gráficos dessa plataforma despertaram interesse em mim. Além do gosto pela arte e de fazer desenhos simples a lápis e aquerela, descobri outros softwares para ilustração e manipulação de imagens. Com o tempo fui identificando meu interesse em design gráfico e webdesign (na época definida pelos webmasters), até chegar no momento de decidir o curso que gostaria de seguir na faculdade: Desenho Industrial – Programação Visual.
Profissionalmente já vinha descobrindo o design de interação e a riqueza dessa área. Então para o meu projeto final de graduação desenvolvi um aplicativo para o aprendizado de música chamado Musiclick, o que me fez pesquisar sobre interface, usabilidade, multimídia e tantos outros recursos que vão muito além de uma mensagem gráfica.
Pensando na experiência que tive em descobrir as ferramentas que me levaram a definir minha carreira, fiz uma relação com a experiência do usuário, pensando como nesse caso os softwares causaram expectativas em descobrir o quanto poderia se atingir com tais recursos.

Como o design pode criar experiências ricas através dos recursos (tecnologias) disponíveis? Se pensamos em tecnologia, vamos muito além de dispositivos hi-tech, interfaces touch screen, telas coloridas, etc. Tecnologia vem desde a roupa que utilizamos, desde a forma como nos comunicamos… linguagem é tecnologia! E muito antes de termos uma linguagem definida, nos expressávamos e nos comunicávamos através de gestos. Partindo deste ponto, podemos pensar em desenvolver produtos ou serviços interativos low-tech… por quê não?
Talvez seja este um paradigma que o design venha a quebrar no futuro: no ciclo tecnológico, voltar a explorar interfaces pessoa/pessoa, valorizando as relações humanas. Atualmente vivemos num cenário de ansiedade de informação segundo Richard Saul Wurman e essa enxurrada de informações tende a ser até mesmo uma agressão à nós. Já nos anos 80s era possível observar o caos informacional através das mídias presentes na época como a TV, o rádio e os impressos. Com a transposição aos meios digitais, a acessibilidade proveniente da internet e a multiplicação de meios ativos de propagação, vivemos um vício tecnológico.
Temos essa ideia de multi-tarefa inserido no contexto dos sistemas operacionais de computadores modernos que achamos que devemos ser assim também. As pessoas estão falando conosco e estamos ao mesmo tempo escrevendo sobre outra coisa no twitter, colhendo as plantinhas na Colheita Feliz e a cada dia achando mais e mais ferramentas para nos prender. Temos tão pouco tempo e estamos sempre correndo que vivemos na superficialidade: não damos mais atenção ao que as pessoas ao nosso lado estão falando, não nos aprofundamos nas coisas que gostamos, não valorizamos os momentos que passamos, não observamos as pequenas coisas, nem mesmo apreciamos beber um copo de água num momento crítico com relação à escassez por vir.
O Gonçalo Ferraz fez uma analogia muito interessante: imaginemos uma pessoa parada e que aos poucos começa a entrar em movimento até iniciar uma caminhada. Ao longo do tempo, vai aumentando a velocidade até começar a correr e então chega num ponto em que sai voando. Esse cenário representa o “boom” da informação há cerca de três décadas atrás. Quando um aluno questionou se devemos então continuar neste ritmo, lembrei de um antigo mito onde os homens queriam se tornar deuses e por conta disso ocasionaram eventos cataclísmicos. Fazendo uma relação metafórica, talvez não tenhamos surgido com o propósito de voar, afinal se assim fosse, já haveríamos desenvolvido asas.
Design é projeto e todo projeto surge no plano das idéias: deriva do plano mental, sendo preciso plasmar através de vários passos, até chegar a um resultado perceptível no mundo físico, sendo tangível ou não. Acredito que devemos transmutar nossas ideias e buscar um novo arquétipo: o de um ideal mais humano.

Rodrigo Scama, Tersis Zonato, Gonçalo Ferraz, Mileni Kazedani e Haroldo de Paula
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Tersis Zonato é natural de Curitiba/PR. Formado em Desenho Industrial - Programação Visual pela PUCPR, faz parte da pH Design desde 2006, onde desenvolve projetos voltados para web, interfaces, aplicações utilizando a plataforma Flash com linguagem actionscript e XML. Especialista em Design de Interação pelo Instituto Faber-Ludens, faz parte da empresa Zeta Comércio de Software, onde contribui com o Projeto Zeta. Ler mais »