TerWill DOS MOD Project 1996: Resgatando meus primeiros contatos com a música digital

08 abr 2011 . 0:00 . 0 comentários

Minha história com a música digital começou cedo através dos arquivos MOD. Na época já existia o MIDI, porém sem uma interface de áudio boa, a qualidade deixava a desejar. Foi então que ao adquirir o primeiro kit multimídia da Creative (Sound Blaster 16, com drive de CD-ROM 2X) comecei a explorar algumas alternativas no campo da música.

Entendendo o conceito do MOD (Module Music)

MOD é um formato de arquivo de música (extensão .mod) que tem origem nos sistemas Amiga ainda na década de 80. Para compor as músicas, é necessário um software sequenciador que permite arranjar as notas em uma timeline. A esse tipo de aplicativo dá-se o nome de tracker (derivado do primeiro editor chamado Ultimate Soundtracker de 1987, que surgiu como uma ferramenta para trilha de jogos de computador).

Na década seguinte, os músicos popularizaram o formato, realizando trocas de arquivo através de sistemas de BBS (Bulletin Board System) e tornou-se mais conhecido quando os hardwares de áudio foram sendo aprimorados com recursos Adlib e Sound Blaster.

Tradicionalmente, a interface desse tipo de software é basicamente textual e numérica, onde os parâmetros de cada nota podem ser alterados através de campos predeterminados onde se inserem notas e efeitos através de códigos hexadecimais.

A base para uma música MOD está nos samples: pequenos arquivos de áudio que podem ser um instrumento, voz ou outro tipo de efeito. Alguns deles permitem ser aplicados como repetições para gerar continuidade (como um loop de bateria, por exemplo).

Os samples devem ser definidos em uma linha do tempo através de uma pista (track), onde cada uma delas tem como output um canal. Os primeiros editores suportavam apenas 4 canais com samples de 8-bit, porém com o tempo esses recursos foram aprimorados, o que permitiu a criação de músicas que se aproximavam à qualidade de CD (44.1 kHz/16-bit/Stereo), principalmente depois do lançamento de placas como a Sound Blaster 16.

Os compassos são definidos como patterns, que na verdade são grupos de pistas que podem ser repetidas e ordenadas para criar a composição final.

A vantagem do formato é que os arquivos ficam bem leves (apenas o peso dos samples de áudio e das seqüências binárias). Na época, era prático para fazer transferência com os sofridos modems Zoltrix 2400 (quem lembra?). Com o tempo, alguns aplicativos seguiram o mesmo conceito, porém com muito mais recursos (como o FruitLoops ou FL Studio e outros softwares e plugins de gravação multitrack). Hoje alguns músicos ainda continuam a compor nesse padrão mais rústico e espalhar suas músicas pela internet através de alguns sites especializados nos formatos MOD, S3M, ST3, XM e outros.

Resgatando o passado

Ao fazer alguns backups em meu computador, encontrei alguns arquivos antigos: músicas que desenvolvi junto com meu irmão Will Zonato entre os anos de 1996 e 1997. Algumas pessoas próximas a nós já haviam ouvido algumas dessas composições, mas resolvi compartilhar pela primeira vez para que todos possam conhecer.

Muito desse material é experimental e foi criado com o software Fast Tracker II para MS-DOS. Como na época era muito difícil conseguir samples de áudio para utilizar, fazíamos a extração de outras músicas que conseguíamos através de acessos à BBS ou de alguns jogos de DOS que utilizavam os MODs como trilha. Uma das primeiras experiências foi bagunçar o tema do seriado Alf, mas o interessante foi quando nós começamos a compor:

Negon (Funk) [0:24]

.MOD – 37kb: Contendo apenas 3 instrumentos principais (baixo, voz e apenas 1 sample de bateria), foi possível criar um efeito interessante através da variação das notas.

Imagem de Amostra do You Tube

C3 [0:16]

.MOD – 41kb: Esta foi uma das primeiras músicas e possui apenas um pattern. Utilizamos o clássico ORCH_HIT.SAM (orchestra hit) que posteriormente foi renomeado para LATINO.SAM, por ser comum em músicas antigas do cantor Latino:

Imagem de Amostra do You Tube

Queposta [0:09]

.MOD – 49kb: É na verdade uma paródia maluca de “U Can’t Touch This” do MC Hammer. O sample de voz foi extraído de um tema do Batman onde havia esta fala do Coringa (primeiro filme da série):

Imagem de Amostra do You Tube

Go2 [0:31]

.MOD – 29kb: Experimento com a risada do Alf e a batida clássica do eurodance dos anos 90:

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Terlook [0:16]

.MOD – 49kb: Com um sample chamado ENGASGAD.SAM… o que mais falar?

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Multiloc [0:56]

.MOD – 29kb: Várias camadas para gerar uma atmosfera caótica com harmonia bizarra:

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MultiGOD [0:31]

.XM – 25kb: É a música anterior com alguns elementos adicionados:

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Terwites [0:55]

.MOD – 33kb: Sequência com bateria, baixo e guitarra sendo adicionados a cada pattern:

Imagem de Amostra do You Tube

Terwill2 [1:12]

.MOD – 29kb: Harmonia e melodia simples:

Imagem de Amostra do You Tube

Terwill [0:31]

.MOD – 98kb: Mais uma usando baixo com slap:

Imagem de Amostra do You Tube

Apesar de hoje ser meu aniversário (8 de abril), fica uma homenagem ao meu grande irmão Willian que foi meu companheiro em todo o processo de composição das músicas acima, garantindo momentos de diversão e MUITA risada. Saudades do MS-DOS e dos discos de boot!!! =D

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Tersis Zonato é natural de Curitiba/PR. Formado em Desenho Industrial - Programação Visual pela PUCPR, faz parte da pH Design desde 2006, onde desenvolve projetos voltados para web, interfaces, aplicações utilizando a plataforma Flash com linguagem actionscript e XML. Especialista em Design de Interação pelo Instituto Faber-Ludens, faz parte da empresa Zeta Comércio de Software, onde contribui com o Projeto Zeta. Ler mais »