Under the Influence #1
O intuito desse artigo é identificar a influência na criação das composições, buscando resgatar o original. A proposta não é acusar de plágio ou cópia, muito menos ofender a integridade intelectual e artística de cada autor.
People talking without speaking, people hearing without listening.Simon & Garfunkel
Arte (do latim Ars: técnica e/ou habilidade) é um fenômeno cultural associado à beleza: através das mãos, o artista tem como objetivo estimular em seus espectadores um significado (co-relacionando aos planos da personalidade individual: físico, energético, emocional e mental). Por vezes a temos como subjetiva, por estar “nomeada” por algum indivíduo como tal.
A música está diretamente ligada à estética, pois faz perceber o belo, evoca emoções, provoca sentimentos, causa novos meios de percepção da realidade e nos faz transcender experiências. No plano mental, por exemplo, criamos cenários ou resgatamos lembranças através de estímulos pela percepção sonora.
Arte é intrínseca no ser humano: são ideias que florescem no interior para externalizar algum sentimento, seja ele provocativo, crítico, emotivo onde o artista usa criatividade, imaginação e interpretação, buscando um ideal maior. Mas tal feito possui valor quando exposto à uma comunidade, ou seja, apesar de normalmente o processo partir do individual, só há significado quando elevado ao absoluto.
Toda arte deriva de um trabalho de seleção e esse pode ser feito através da busca consciente ou inconsciente (sem o menor conhecimento da existência da influência). Muitas vezes acusamos de plágio, mas o que não percebemos é que nem sempre isso ocorre de verdade.

Platão representado por Rafael Sanzio em Scuola di Atene
Segundo Platão, o mundo concreto, que é percebido pelos sentidos, na realidade é uma reprodução do Mundo das Ideias. Os arquétipos estão fora do tempo e do espaço, portanto o que percebemos são apenas imitações imperfeitas. A inspiração por trás da música pode vir de ideias além do estilo, por mais absurdas que pareçam. Na realidade toda arte advém da Natureza e é esse o arquétipo do qual buscamos referência. A frase é clichê, mas pode ser aplicada: nada no Universo se cria, tudo se transforma. A arte está presente no absoluto, intrínseca em cada indivíduo, mas plasmada de formas diferentes. É o todo, transmitido através de mensagens diferentes que por vezes se tangenciam ou se chocam, mesmo que de forma não intencional (ou consciente).
É importante ressaltar que a repetição de certas estruturas é completamente aceitável. Na música, harmonias e progressões não são registradas e podem ser utilizadas de forma livre.
Para haver evolução é necessário, além do intelectual, um processo empírico. A experimentação é muito importante pois funciona como um meio de desenvolver a percepção do artista. De certa forma, sempre buscamos inspiração em alguma fonte e é essa seleção que molda a personalidade do artista.
O fato é que vivemos em ciclos: épocas, estações, estilos, tendências, etc. Buscamos neles uma forma de expressão. Stravinsky (1942) deixa a reflexão:
…the style of an epoch results from a combination of individual styles, a combination which is dominated by the methods of the composers who have exerted preponderant influence on their time.Igor Stravinsky
Desde que a música faça o indivíduo se sentir bem, impulsionando personalidade e alma de alguma forma, a maior importância está na influência causada em sua vida. Nesse sentido é possível afirmar que a música é o belo, o transcendente.
Cannibal Corpse – Edible Autopsy
Oppressor – Kingdom of the Dead
Kreator – People of the Lie
Carcass – Heartwork
Metallica – Leper Messiah
Vulture – Not Six But Seven Dead
Deep Purple – Highway Star
The Rods – Hold On for Your Life
Judas Priest – Running Wild
Iron Maiden – The Wicker Man
Referências:
- Stravinsky, Igor (1942). Poetics of Music: in the form of six lessons. Harvard University press.
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Tersis Zonato é natural de Curitiba/PR. Formado em Desenho Industrial - Programação Visual pela PUCPR, faz parte da pH Design desde 2006, onde desenvolve projetos voltados para web, interfaces, aplicações utilizando a plataforma Flash com linguagem actionscript e XML. Especialista em Design de Interação pelo Instituto Faber-Ludens, faz parte da empresa Zeta Comércio de Software, onde contribui com o Projeto Zeta. Ler mais »
3 comentários
Tem exemplos ainda melhores (vide a briga satriani x coldplay), mas o fenômeno acontece mesmo. E enquanto for possível fazer música como forma de expressão, vai continuar acontecendo, às vezes queremos expressar sensações parecidas. O próprio processo de evolução vai mudando a sonoridade, mas as linhas gerais sempre se estabelecem, por mais diferentes.
Realmente essa briga Satriani x Coldplay deu muito o que falar. Podemos observar as semelhanças entre músicas e perceber que isso é algo intrínseco ao ser humano, afinal em determinado momento ele criou música tentando extrair o belo, imitando alguns aspectos da natureza. Para Aristóteles, a principal causa da imitação é o prazer e o conhecimento: aprendemos a deduzir o que é cada coisa. O filósofo ainda diz que todas as artes estão submetidas à um único propósito, que é o de imitar a natureza.
[...] Platão – http://www.tersis.com.br/blog/under-the-influence-1/ [...]